Olá, caros colegas do serviço público! Quem de nós nunca olhou para o futuro e imaginou aquele merecido degrau a mais na carreira? Eu sei bem como é essa jornada, cheia de dedicação e, às vezes, um pouco de incerteza sobre como realmente se destacar.
No cenário atual, com as constantes mudanças e a valorização de novas competências, percebo que a simples antiguidade já não é o único caminho para a ascensão.
Investir na nossa própria evolução, desenvolvendo habilidades que vão além do esperado e cultivando uma mentalidade proativa, tornou-se fundamental para quem busca a tão sonhada promoção.
Senti na pele e vi de perto como uma abordagem estratégica no autodesenvolvimento pode abrir portas e impulsionar carreiras, mesmo em tempos desafiadores.
É preciso mais do que esforço; é preciso uma estratégia. E se eu disser que existem atalhos inteligentes, tendências e técnicas que podem te colocar à frente?
Querem desvendar os segredos para alavancar sua carreira? Vamos mergulhar fundo e descobrir como alcançar esse objetivo juntos!
Uau, que viagem incrível estamos prestes a começar! Olá a todos, meus colegas de serviço público em Portugal! É um prazer imenso estar aqui hoje, partilhando convosco algo que me apaixona e que, honestamente, me ajudou imenso na minha própria jornada profissional: a arte de evoluir na carreira dentro da nossa tão desafiante e gratificante Administração Pública.
Sei que muitos de vocês se revêm na busca por aquele passo em frente, aquela promoção que parece, por vezes, um sonho distante. Mas garanto-vos, não é!
Com a estratégia certa, o empenho e, acima de tudo, a mentalidade certa, o sucesso está ao nosso alcance. Lembro-me perfeitamente de uma altura em que me sentia um pouco “estagnado”, a fazer o meu trabalho com dedicação, mas sem ver aquele reconhecimento ou aquelas oportunidades que tanto almejava.
Foi aí que decidi que tinha de mudar a minha abordagem. Comecei a investigar, a falar com colegas que já tinham alcançado os seus objetivos, a participar em formações e, mais importante, a olhar para as minhas próprias competências de uma forma crítica e proativa.
E sabem que mais? Funcionou! Abriu-me portas que eu nem sabia que existiam.
Por isso, hoje, quero partilhar convosco essas descobertas e “atalhos inteligentes” que vos podem ajudar a desenhar o vosso próprio caminho de sucesso.
A promoção não é apenas uma questão de antiguidade ou de “sorte”; é uma questão de estratégia, de autodesenvolvimento contínuo e de saber onde e como investir as nossas energias.
Vamos juntos desvendar como podemos alavancar a nossa carreira e, quem sabe, inspirar outros a fazer o mesmo!
Cultivar Competências Essenciais para o Futuro

No meu percurso, percebi que o mundo está em constante mudança, e a Administração Pública não é exceção. As competências que nos trouxeram até aqui podem não ser as mesmas que nos levarão para o próximo nível. Senti na pele a importância de estar sempre a aprender e a desenvolver novas habilidades, especialmente aquelas que são cada vez mais valorizadas no nosso setor. Não se trata apenas de “hard skills” — aquelas competências técnicas específicas do nosso trabalho, que, claro, são fundamentais — mas também, e talvez principalmente, das “soft skills”. Estas, como a capacidade de comunicação, a liderança ou a adaptabilidade, são a verdadeira chave para nos destacarmos e para construirmos uma carreira mais sólida e gratificante. O Decreto-Lei n.º 86-A/2016 já sublinha a importância da formação contínua para a atualização e valorização pessoal e profissional dos trabalhadores e dirigentes em funções públicas, alinhando-a com as políticas de desenvolvimento e inovação da Administração Pública. O Referencial de Competências para a Administração Pública (ReCAP), aprovado em setembro de 2024, descreve claramente os comportamentos que levam a um desempenho bem-sucedido e estabelece uma linguagem comum para as competências transversais a todos os trabalhadores e as específicas para cargos dirigentes. Por isso, o investimento em mim, a procurar cursos e oportunidades que me permitissem evoluir nessas áreas, foi um dos melhores investimentos que fiz na minha carreira. Afinal, as máquinas podem substituir muitas tarefas técnicas, mas a nossa capacidade de interagir, inovar e liderar é insubstituível.
Dominar as Novas Ferramentas Digitais
Hoje em dia, é quase impossível imaginar o nosso dia a dia de trabalho sem as ferramentas digitais. Desde a gestão de documentos na cloud até à utilização de plataformas de colaboração, a proficiência digital deixou de ser um “extra” para se tornar uma necessidade. Recordo-me de, no início, achar que não precisava de me aprofundar muito, que o básico chegava. Mas rapidamente percebi o quão errado estava! A verdade é que dominar estas ferramentas não só me tornou mais eficiente e produtivo, como também abriu portas para assumir novas responsabilidades e participar em projetos inovadores. Instituições como o INA (Instituto Nacional de Administração) oferecem formação contínua, incluindo cursos à distância, para o desenvolvimento de competências na criação e administração de projetos de TI, promovendo a eficiência e agilidade na gestão de sistemas públicos. Apostar em cursos de literacia digital, gestão de dados ou cibersegurança, por exemplo, é um passo crucial para qualquer funcionário público que queira estar à frente e ser visto como um ativo valioso. Além disso, a digitalização e automação de processos administrativos são tendências que estão a moldar a gestão de pessoas no setor público, otimizando o recrutamento e a eficiência.
Reforçar as Competências Comportamentais (“Soft Skills”)
Falando em “soft skills”, estas são, para mim, o verdadeiro motor da ascensão na carreira. Já tive a oportunidade de participar em projetos em que o sucesso dependeu muito mais da capacidade da equipa de comunicar, colaborar e resolver problemas do que das nossas competências técnicas individuais. É a nossa inteligência emocional, a nossa adaptabilidade, a nossa capacidade de persuasão e de liderança que nos distinguem. Na Administração Pública, onde lidamos com pessoas e processos complexos diariamente, estas competências são ouro. O IGAP (Instituto de Gestão e Administração Pública) oferece cursos online especificamente sobre Soft Skills na Administração Pública, visando capacitar os trabalhadores para transformar desafios em oportunidades e melhorar a comunicação com o cidadão. As lideranças têm um papel central no desenvolvimento destas competências nas equipas, servindo de exemplo com inteligência emocional, comunicação eficaz e resolução de conflitos. Acreditem em mim, desenvolver a vossa capacidade de trabalhar em equipa, de negociar, de gerir o tempo e de liderar, mesmo sem ter um cargo de chefia formal, será notado e valorizado.
Estratégias de Desenvolvimento Profissional Contínuo
Para mim, a ideia de “parar de aprender” é como parar de respirar profissionalmente. O desenvolvimento contínuo não é um luxo, é uma necessidade, especialmente na nossa área. Não basta ter boas intenções; é preciso ter uma estratégia clara e um plano de ação. E não estou a falar de coisas mirabolantes! Pequenos passos consistentes fazem uma enorme diferença. A formação profissional na Administração Pública não tem um limite mínimo ou máximo de horas obrigatório, mas o Decreto-Lei n.º 86-A/2016 garante 100 horas anuais de autoformação para todos os trabalhadores, que pode ser alargado mediante autorização e relevância das ações. Além dos cursos formais, que são ótimos, a autoformação e a aprendizagem informal também contam muito. Pensemos nos cursos online, nos webinars, nos livros e até nas conversas com colegas mais experientes. Tudo isso contribui para o nosso crescimento. Lembro-me de uma vez ter aprendido mais sobre um novo procedimento a conversar com uma colega de outro serviço, num café, do que em qualquer manual. A partilha de conhecimento é poderosa!
Elaborar um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI)
Um PDI é o vosso mapa para o sucesso. Confesso que, no início, achava que era algo burocrático, mais uma “coisa” para fazer. Mas depois de criar o meu, percebi o seu valor. É um documento vivo, que nos ajuda a definir metas, a identificar as competências a desenvolver e a traçar ações práticas para o nosso crescimento. No setor público, o PDI ainda é algo raro, mas é uma ferramenta essencial para qualquer gestor ou trabalhador que deseja crescer pessoal e profissionalmente. Ele não só alinha o nosso desenvolvimento com as metas da organização, como nos dá clareza sobre onde queremos chegar e como o vamos fazer. O meu PDI, por exemplo, incluía metas de curto e médio prazo: “participar em pelo menos um curso online por trimestre”, “procurar oportunidades de mentoria”, “assumir a liderança de um pequeno projeto no serviço”. A chave é ser específico, mensurável e ter prazos. E sim, revisitem-no regularmente, ajustem-no, celebrem as pequenas vitórias!
Aproveitar as Oportunidades de Formação e Capacitação
Portugal tem excelentes recursos para a nossa formação contínua. O INA, por exemplo, é um pilar fundamental, oferecendo uma vasta gama de cursos, tanto síncronos como assíncronos, que nos permitem adaptar a aprendizagem ao nosso ritmo e às nossas necessidades. O IGAP também se dedica a planear e desenvolver atividades formativas orientadas para a Administração Pública, visando a criação de mais valor público. Eu próprio já fiz vários cursos através destas plataformas e posso garantir que a qualidade é elevadíssima. Além disso, muitos órgãos públicos oferecem ou reconhecem cursos online para progressão funcional e licença para capacitação, o que é uma excelente oportunidade para nos qualificarmos sem comprometer o trabalho. O importante é pesquisar, falar com o RH do vosso serviço e perceber quais as opções que melhor se adequam aos vossos objetivos de carreira. Lembrem-se que a formação é um investimento em nós próprios, e a Administração Pública valoriza quem investe na sua qualificação.
Construir uma Rede de Contactos e Procurar Mentoria
Sabem, uma das maiores surpresas na minha carreira foi descobrir o poder do networking e da mentoria. No início, pensava que “fazer contactos” era algo para o setor privado, mas estava enganado. No nosso universo da Administração Pública, conhecer pessoas de diferentes serviços, áreas e níveis hierárquicos é fundamental. Não só nos permite aprender com as experiências dos outros, como também nos abre portas para novas oportunidades e parcerias. Lembro-me de um conselho que recebi de um colega mais antigo: “As melhores oportunidades nem sempre estão publicadas; muitas vezes nascem de conversas informais e de quem tu conheces.” E ele tinha toda a razão! O Programa de Mentoria para a Inovação e Liderança na Administração Pública (PMIL) do INA, por exemplo, é uma iniciativa fantástica que liga profissionais experientes a trabalhadores e dirigentes, promovendo a partilha de conhecimento e o desenvolvimento de competências. É uma forma de ter alguém que já trilhou um caminho semelhante a guiar-nos e a partilhar a sua sabedoria. Eu tive a sorte de ter alguns mentores informais ao longo da minha carreira, e o impacto foi brutal.
Participar em Eventos e Grupos de Trabalho
Participar em conferências, seminários, workshops e até em grupos de trabalho interdepartamentais é uma forma excelente de alargar a nossa rede de contactos. Por exemplo, o Porto RH Meeting, que acontece em novembro, tem um espaço exclusivo para a Administração Pública, com sessões sobre conciliação entre vida pessoal e profissional, ética no serviço público, e programas de mentoria, reforçando a componente de networking ativo. No fundo, trata-se de sair da nossa “bolha” diária e de nos expormos a novas ideias e pessoas. Nessas interações, não só partilhamos o nosso conhecimento, como também absorvemos o de outros, criamos sinergias e, quem sabe, encontramos o próximo colega ou parceiro de projeto. Para mim, essas experiências foram cruciais para ter uma visão mais ampla da nossa Administração Pública e para perceber onde as minhas competências poderiam ser mais valiosas.
Buscar um Mentor ou ser um Mentee
Como já referi, o programa de mentoria do INA é um exemplo brilhante de como podemos beneficiar da experiência de outros profissionais. Não é apenas sobre ter um “guia”, mas sobre ter alguém que nos desafia, nos dá perspetivas diferentes e nos ajuda a ver o nosso potencial. Se nunca pensaram em procurar um mentor, é algo que vos recomendo vivamente. E se já têm experiência, considerem ser mentores! É uma experiência incrivelmente enriquecedora para ambos os lados. Lembro-me de, numa fase em que estava a considerar uma mudança de área dentro da própria Administração Pública, um mentor me ter ajudado a ponderar os prós e os contras de uma forma que eu nunca teria conseguido sozinho. A sua perspicácia e a sua experiência foram essenciais para a minha decisão. A mentoria não é só para inovar e liderar, é para crescer, para resolver problemas, e para nos sentirmos menos sozinhos nesta jornada profissional.
Compreender os Mecanismos de Progressão na Carreira
É fundamental conhecer as regras do jogo, não é verdade? Na Administração Pública Portuguesa, a progressão na carreira tem os seus próprios mecanismos e é crucial compreendê-los para planearmos os nossos passos de forma eficaz. Já se foram os tempos em que a progressão era quase automática. Hoje, é preciso um desempenho consistente, a acumulação de pontos e, muitas vezes, a proatividade para aceder a novas posições. O Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho na Administração Pública (SIADAP) é o principal instrumento que avalia o nosso desempenho e atribui pontos que são cruciais para a progressão remuneratória. Em janeiro de 2024, foram publicadas novas regras que valorizam as carreiras dos trabalhadores públicos, reduzindo o número de pontos necessários para a alteração de posicionamento remuneratório de 10 para 8, e alargando as quotas com potencial de progressão mais rápida de 25% para 60% dos trabalhadores abrangidos. Isto significa que muitos mais de nós terão a oportunidade de progredir mais rapidamente, o que é uma excelente notícia e um incentivo para o nosso esforço!
Navegar pelo SIADAP e a Avaliação de Desempenho
O SIADAP, embora por vezes complexo, é a ferramenta que mais diretamente impacta a nossa progressão. É através dele que o nosso desempenho é avaliado e que acumulamos os pontos necessários para a mudança de posição remuneratória. Lembro-me de, no início, não dar muita atenção à minha ficha de avaliação, via-a apenas como uma formalidade. Mas com o tempo, percebi que é uma ferramenta estratégica. É o momento de demonstrar o nosso valor, os nossos contributos e, claro, de procurar feedback construtivo. O governo tem vindo a promover um sistema de avaliação mais justo, que permite uma progressão mais rápida, e antecipou para o ciclo de avaliação 2023/2024 a aplicação de novas menções qualitativas e quantitativas. O meu conselho é: levem a vossa avaliação a sério, preparem-se para ela, apresentem os vossos resultados e usem-na como uma oportunidade para discutir o vosso plano de desenvolvimento com o vosso superior hierárquico. É a vossa oportunidade de “vender o vosso peixe” e de mostrar o vosso potencial.
Aproveitar as Regras de Aceleração de Progressão
Uma notícia fantástica que surgiu recentemente é a antecipação das novas regras de progressão na carreira, que permite uma aceleração para muitos trabalhadores. Em 2024, cerca de 72 mil trabalhadores puderam beneficiar de um regime especial que lhes permitiu progredir com seis pontos na avaliação de desempenho, em vez dos habituais dez, desde que tivessem 18 ou mais anos de exercício de funções e tivessem sido abrangidos pelos períodos de congelamento anteriores. Esta medida, que se aplica uma única vez, é um reconhecimento do impacto desses congelamentos e uma forma de valorizar o nosso percurso. Se se enquadram nestes critérios, é essencial que falem com os vossos serviços de RH para garantirem que os vossos pontos são contados corretamente e que podem beneficiar desta aceleração. Eu já vi colegas que, por desconhecimento, deixaram passar oportunidades. Não deixem que vos aconteça o mesmo! É um direito nosso e um incentivo à dedicação.
Proatividade e Visibilidade na Função Pública

Ser proativo na Administração Pública vai muito além de apenas cumprir as tarefas que nos são atribuídas. Significa antecipar necessidades, propor soluções, assumir responsabilidades adicionais e, acima de tudo, tornar o nosso trabalho e o nosso valor visíveis. Por experiência própria, sei que muitas vezes ficamos “escondidos” atrás dos ecrãs ou das nossas secretárias, a fazer um trabalho excelente, mas que poucos reconhecem. No entanto, para progredir, é preciso que o nosso empenho e as nossas competências sejam notados. Não se trata de vaidade, mas sim de uma estratégia inteligente de gestão de carreira. Mostrar iniciativa, voluntariar-se para novos projetos, ou até mesmo partilhar conhecimento com os colegas são formas eficazes de aumentar a nossa visibilidade e demonstrar o nosso potencial de liderança. Afinal, as novas regras de diferenciação de desempenho do SIADAP, que ampliam as quotas para notas mais altas, incentivam precisamente a valorização do bom desempenho e da proatividade.
Assumir a Liderança em Projetos e Iniciativas
Não precisamos de ter um cargo de direção para liderar. Liderar um pequeno grupo de trabalho, organizar uma nova forma de fazer algo no serviço, ou propor uma melhoria num processo são tudo formas de assumir a liderança e de mostrar que temos iniciativa e capacidade de gestão. Recordo-me de uma vez ter proposto a criação de um pequeno grupo para otimizar um processo interno que estava a causar alguns constrangimentos. No início, houve alguma resistência, mas com persistência, conseguimos implementar as mudanças e o impacto foi bastante positivo. Essa experiência valeu-me muito, não só pelo resultado, mas pela aprendizagem e pelo reconhecimento que me trouxe. É nessas pequenas (ou grandes!) iniciativas que demonstramos as nossas “soft skills” de liderança, colaboração e orientação para resultados, que são tão valorizadas em cargos de gestão.
Comunicar o Seu Valor e Contributo
Esta é uma parte que, confesso, me custou um pouco no início. Sentia que o meu trabalho deveria “falar por si”. Mas a realidade é que nem sempre é assim. É importante saber comunicar o nosso valor e os nossos contributos de forma clara e objetiva, seja na avaliação de desempenho, em reuniões de equipa, ou em conversas informais com os nossos superiores. Preparar um pequeno resumo dos nossos principais feitos e resultados, quantificando-os sempre que possível, pode fazer toda a diferença. Por exemplo, em vez de dizer “melhorei o processo X”, diga “reduzi o tempo do processo X em 20% através da implementação de Y”. Esta comunicação proativa não só ajuda os vossos superiores a terem uma imagem clara do vosso desempenho, como também vos posiciona como profissionais empenhados e com impacto real no serviço. É a vossa oportunidade de mostrar que não são apenas mais um, mas um profissional que faz a diferença.
Equilibrar Vida Profissional e Pessoal para um Crescimento Sustentável
Caros colegas, chegamos a um ponto crucial que, na minha experiência, é muitas vezes negligenciado na busca pela ascensão profissional: o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. No meu percurso, houve alturas em que me dediquei tanto ao trabalho que senti que a minha energia estava a esgotar-se. E o resultado? Menos produtividade, menos criatividade e, ironicamente, menos satisfação. Percebi que o crescimento sustentável na carreira não se faz à custa do nosso bem-estar, mas sim em harmonia com ele. Uma vida equilibrada permite-nos recarregar energias, manter a motivação em alta e sermos mais eficazes no trabalho. Eventos como o Porto RH Meeting já abordam a conciliação entre vida pessoal e profissional, o que demonstra a crescente importância deste tema na Administração Pública. Não se trata de trabalhar menos, mas de trabalhar de forma mais inteligente e consciente.
Gerir o Tempo e a Energia de Forma Eficaz
A gestão do tempo é uma “soft skill” que se tornou vital para mim. Aprendi a priorizar tarefas, a delegar quando possível e a dizer “não” a coisas que não se alinhavam com os meus objetivos ou que me sobrecarregavam desnecessariamente. Técnicas como a “Técnica Pomodoro” ou a criação de listas de tarefas diárias ajudaram-me imenso a manter o foco e a evitar a exaustão. Mas a gestão de energia é igualmente importante. Saber quando fazer uma pausa, quando praticar exercício físico, ou quando simplesmente desligar do trabalho para estar com a família ou amigos é fundamental para manter a mente fresca e o corpo saudável. Lembrem-se, somos seres humanos, não máquinas. E um profissional descansado e feliz é um profissional muito mais produtivo e criativo.
Investir no Bem-Estar e Saúde Mental
Não consigo enfatizar o suficiente a importância de investir na nossa saúde mental e bem-estar. O stress e a pressão do trabalho podem ser avassaladores, e se não cuidarmos de nós próprios, a nossa carreira vai sofrer. Eu próprio já senti os efeitos do esgotamento e foi uma lição valiosa. Comecei a praticar mindfulness, a dedicar tempo aos meus hobbies e a garantir que tinha uma boa rotina de sono. O nosso bem-estar não é um luxo, é um alicerce para o nosso sucesso. Muitas organizações estão agora a reconhecer a importância da saúde mental e do bem-estar no trabalho, inclusive no setor público. Cuidar de si é a melhor forma de garantir que tem a energia e a resiliência necessárias para enfrentar os desafios e para continuar a progredir na sua carreira de forma saudável e feliz.
| Área de Foco | Exemplos de Ações para a Carreira Pública em Portugal | Recursos e Apoios Relevantes |
|---|---|---|
| Desenvolvimento de Competências | Realizar cursos online sobre ferramentas digitais (e.g., Cloud, IA), participar em workshops de soft skills (e.g., comunicação, liderança), procurar formações do INA ou IGAP. | INA (Instituto Nacional de Administração), IGAP (Instituto de Gestão e Administração Pública), Plataforma NAU, Universidades e Instituições de Ensino Superior. |
| Planeamento de Carreira | Elaborar e rever regularmente um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), definir metas claras de progressão, conversar com o superior hierárquico sobre oportunidades. | Serviços de Recursos Humanos, programas de Mentoria, ferramentas de autoavaliação de competências. |
| Networking e Mentoria | Participar em eventos do setor público (e.g., Porto RH Meeting), aderir a programas de mentoria (e.g., PMIL do INA), conectar-se com colegas em diferentes serviços. | Programas de Mentoria do INA, associações profissionais, eventos e conferências do setor público. |
| Gestão do Desempenho | Compreender os critérios do SIADAP, preparar-se para a avaliação de desempenho, comunicar ativamente os seus contributos e resultados. | Legislação do SIADAP, Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), serviços de RH. |
A Importância da Autorreflexão e Resiliência na Jornada Profissional
Meus amigos, no caminho para a tão desejada promoção e para uma carreira plena na Administração Pública, há dois pilares que, para mim, se mostraram absolutamente essenciais: a autorreflexão e a resiliência. A jornada nem sempre é linear, e haverá momentos de dúvida, de frustração e até de algum desânimo. É normal! Já passei por isso e sei o quanto é desafiador. Mas é precisamente nesses momentos que a capacidade de parar, olhar para dentro e aprender com a experiência faz toda a diferença. Não se trata de ser perfeito, mas de ser capaz de se reerguer, ajustar o rumo e seguir em frente com ainda mais força. Acreditem, a resiliência é uma das “soft skills” mais valiosas que podemos cultivar, pois é ela que nos permite transformar os obstáculos em oportunidades de crescimento. Lembro-me de uma vez ter investido imenso tempo e energia num projeto que, no final, não teve o impacto esperado. A frustração foi grande, mas em vez de desistir, parei, analisei o que correu menos bem, ajustei a minha abordagem e usei essa aprendizagem para o próximo desafio. E foi precisamente esse “dar a volta” que me abriu novas portas.
Aprender com os Desafios e Falhas
Ninguém gosta de falhar, eu incluído. Mas a verdade é que os maiores aprendizados na minha carreira vieram das situações mais desafiadoras. Aqueles momentos em que as coisas não correram como o planeado, em que tive de encontrar soluções criativas para problemas inesperados, ou em que precisei de lidar com a crítica. É fácil ficar desmotivado, mas a autorreflexão permite-nos extrair lições valiosas dessas experiências. O que poderia ter feito diferente? O que aprendi sobre mim mesmo e sobre a minha equipa? Como posso aplicar este conhecimento no futuro? No fundo, cada “falha” é uma oportunidade disfarçada de crescimento. Um bom Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) até pode incluir metas relacionadas com a aprendizagem através de desafios, incentivando a análise e o ajustamento de estratégias. No nosso dia a dia na Administração Pública, somos constantemente confrontados com novos desafios e a capacidade de aprender rapidamente e de nos adaptarmos é crucial. Não temam os desafios; abracem-nos como oportunidades de se tornarem ainda melhores profissionais.
Cultivar uma Mentalidade de Crescimento
Uma mentalidade de crescimento é a crença de que as nossas habilidades e inteligência podem ser desenvolvidas através da dedicação e do trabalho árduo. É o oposto de uma mentalidade fixa, que acredita que as nossas características são inatas e imutáveis. Por experiência, posso dizer que adotar uma mentalidade de crescimento transformou a minha forma de encarar a carreira. Em vez de ver os desafios como ameaças, passei a vê-los como oportunidades para aprender e melhorar. Em vez de me comparar com os outros, foquei-me no meu próprio progresso. Essa mentalidade permitiu-me ser mais resiliente, mais adaptável e muito mais aberto a novas aprendizagens. Na Administração Pública, onde a inovação e a mudança são constantes, ter essa perspetiva é um superpoder. Permite-nos não só abraçar as transformações, como também sermos agentes ativos delas. É uma questão de atitude, e a atitude, meus amigos, é algo que está sempre sob o nosso controlo.
Para Concluir
Caros colegas, chegamos ao fim de mais uma partilha, e espero, do fundo do coração, que esta conversa sobre a evolução na carreira dentro da nossa tão nobre Administração Pública vos tenha sido útil e, acima de tudo, inspiradora. Acreditem, cada um de nós tem o potencial para traçar um caminho de sucesso, de reconhecimento e de realização profissional. Não se trata apenas de subir na hierarquia, mas de crescer enquanto pessoa, de se sentir útil e de contribuir para um serviço público de excelência. Lembrem-se que a jornada é contínua, repleta de aprendizagens e de desafios, mas com as ferramentas certas, a mentalidade adequada e um compromisso inabalável com o vosso desenvolvimento, o céu é o limite. Eu, tal como vocês, estou sempre a aprender e a procurar novas formas de melhorar. Por isso, convido-vos a levar estas ideias convosco, a aplicá-las no vosso dia a dia e a partilhar as vossas próprias experiências. Juntos, somos mais fortes e capazes de moldar o futuro da nossa Administração Pública.
Informação Útil a Reter
1. O SIADAP é o seu Aliado: Entender profundamente as novas regras de avaliação de desempenho é crucial para a sua progressão. Com a redução dos pontos necessários para a progressão e o alargamento das quotas para avaliações mais elevadas, nunca foi tão importante preparar a sua avaliação, documentar os seus feitos e comunicar ativamente o seu valor. Aproveite este momento para alinhar os seus objetivos pessoais com os da sua equipa e da sua instituição, mostrando proatividade e impacto tangível no serviço público.
2. Invista na Sua Formação Contínua: A Administração Pública Portuguesa oferece um leque crescente de oportunidades, desde as 100 horas anuais garantidas por lei para autoformação, até aos cursos especializados do INA (Instituto Nacional de Administração) e IGAP (Instituto de Gestão e Administração Pública). Explore opções em literacia digital, gestão de projetos, cibersegurança e, sobretudo, em competências comportamentais. Lembre-se que o seu desenvolvimento profissional é um investimento a longo prazo que a diferencia e a prepara para os desafios futuros.
3. Desenvolva as Suas Soft Skills: Mais do que nunca, a capacidade de comunicar eficazmente, liderar equipas (mesmo sem ter um cargo formal de chefia), adaptar-se rapidamente à mudança e resolver problemas de forma criativa são qualidades de ouro. Estas competências são o verdadeiro motor da sua ascensão, pois transformam desafios em oportunidades, melhoram a interação com cidadãos e colegas, e fortalecem o seu perfil para cargos de maior responsabilidade e impacto social.
4. Crie a Sua Rede de Contactos: O networking não é apenas para o setor privado; na Administração Pública, é uma ferramenta poderosa. Participar em eventos do setor, workshops e grupos de trabalho interdepartamentais, ou procurar um mentor através de programas como o PMIL (Programa de Mentoria para a Inovação e Liderança) do INA, pode abrir portas inesperadas. Conhecer colegas de diferentes serviços e áreas expande a sua visão, partilha conhecimentos valiosos e cria oportunidades de colaboração e progressão.
5. Priorize o Equilíbrio Vida/Trabalho: O sucesso na carreira não se sustenta sem bem-estar pessoal. Gerir o tempo de forma inteligente, aprender a delegar quando possível e reservar momentos para o descanso, os seus hobbies e os seus entes queridos é fundamental. Um profissional que cuida da sua saúde mental e física é invariavelmente mais produtivo, criativo e resiliente, garantindo um percurso profissional mais longo, saudável e, sobretudo, gratificante.
Pontos Chave a Reter
Para fechar com chave de ouro, quero que levem estas ideias convosco: primeiro, o desenvolvimento contínuo de competências, tanto técnicas quanto comportamentais, é a vossa bússola para o futuro. Segundo, um planeamento estratégico da carreira, alicerçado num PDI e no conhecimento dos mecanismos de progressão como o SIADAP, é a vossa estratégia de jogo. Terceiro, não subestimem o poder do networking e da mentoria para abrir novas perspetivas e oportunidades. Quarto, a proatividade e a visibilidade do vosso trabalho são essenciais para o reconhecimento. E, por fim, mas não menos importante, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é o alicerce para um crescimento sustentável e uma carreira verdadeiramente feliz. Lembrem-se, a vossa jornada é única e merece todo o vosso empenho e cuidado. Sejam os protagonistas da vossa história de sucesso!
Perguntas Frequentes (FAQ) 📖
P: Como um servidor público pode realmente se destacar e conseguir aquela tão sonhada promoção no cenário atual?
R: Ah, essa é a pergunta de ouro, não é mesmo? Minha própria experiência e o que vejo acontecer com colegas que realmente sobem de degrau me mostram uma coisa: não basta apenas fazer o básico.
O segredo está em ir além! Não espere que te peçam para aprender algo novo. Tome a iniciativa!
Mostre proatividade em buscar soluções, em otimizar processos que ninguém mais está olhando. Sabe, aquela sensação de ver um problema e pensar “como eu posso resolver isso, mesmo que não seja minha função primária?”.
Isso faz uma diferença enorme. Além disso, invista em networking, não no sentido de “puxar saco”, mas de construir relacionamentos genuínos com colegas de outras áreas e até mesmo de outros órgãos.
Troque ideias, entenda os desafios deles. Quando surge uma oportunidade, as pessoas se lembram de quem é engajado e de quem contribui positivamente para o ambiente.
É como plantar sementes: você cuida, rega, e um dia colhe os frutos.
P: Quais habilidades ou tendências específicas um servidor público deve priorizar para impulsionar a carreira?
R: Essa é crucial, porque o mundo muda muito rápido, e o serviço público não está imune a isso! Se eu pudesse dar um conselho baseado no que vejo, diria para focarem nas “soft skills” e nas “hard skills” do futuro.
No campo das “soft skills”, a adaptabilidade é rei. A capacidade de aprender e se desaprender rápido, de lidar com o novo e o inesperado, é um diferencial imenso.
A inteligência emocional também: saber gerenciar suas emoções e as dos outros, comunicar-se de forma empática e resolver conflitos. E nas “hard skills”, a alfabetização digital é inegociável.
Entender de ferramentas de produtividade, análise de dados (mesmo que o básico, para interpretar relatórios) e até um pouco sobre as novas tecnologias que estão sendo implementadas na gestão pública.
Não precisa ser um expert em TI, mas ter uma boa noção de como a tecnologia pode otimizar seu trabalho e o do seu setor já te coloca muito à frente. É como ter um “cinto de utilidades” moderno, sabe?
P: Vale a pena mesmo investir tempo e esforço no autodesenvolvimento quando a antiguidade ainda parece ser um fator tão forte?
R: Eu entendo perfeitamente essa dúvida, porque por muito tempo a antiguidade foi quase a única régua. Mas, sendo bem sincero com vocês, o jogo mudou! Sim, a antiguidade ainda tem seu peso, mas hoje ela não é mais o único caminho.
Eu mesma já vi muitos colegas, com menos tempo de casa, conseguirem promoções e assumirem posições de destaque simplesmente porque se dedicaram a adquirir novas competências e a mostrar um valor diferenciado.
Pense nisso como um investimento de longo prazo na sua própria “marca pessoal” dentro do serviço público. Além da promoção em si, o autodesenvolvimento traz uma satisfação profissional indescritível, a sensação de que você está crescendo, se tornando mais competente e relevante.
E quer saber o que é melhor? Esse conhecimento ninguém te tira! É uma base sólida para qualquer desafio que venha pela frente, inclusive fora do serviço público, se um dia você decidir por uma nova jornada.
Então, sim, vale cada minuto e cada centavo investido. É o melhor investimento que você pode fazer por você!






